Violência e sexo na publicidade


 

 

É prática corrente intercalar o visionamento de um qualquer programa televisivo com anúncios publicitários. O número de anúncios e a sua duração podem até fornecer-nos uma ideia do nível de audiências de um determinado canal. Os anunciantes só procuram anunciar os seus produtos quando sabem que o canal escolhido tem grande audiência.

 

Há nesta situação de publicidade dois fenómenos curiosos, estudados estatisticamente. Num caso participaram mais de 300 adultos. Em cada programa de televisão com cenas de violência ou sexo explícito foram inseridos 9 spots publicitários com produtos da vida corrente, como refrescos, detergentes, arroz, etc. Imediatamente depois do programa, e de novo depois de 24 horas, os espectadores deviam recordar-se das marcas dos produtos anunciados, mas não. Brad Bushman, encarregado do estudo declarou: “uma possível razão pela qual os programas de conteúdo sexual ou violento reduzem a memória dos anúncios é que o espectador põe mais atenção no sexo ou na violência, diminuindo assim a capacidade de atenção disponível para ser usada nos anúncios”. Isto independentemente de gostarem ou não do programa que viram, de serem homens ou mulheres, com idades muito variadas. Por outro lado os espectadores que viram programas sem sexo ou sem violência recordam com facilidade as marcas anunciadas.

 

O outro fenómeno curioso é o de usar a violência ou o sexo explícito nos próprios anúncios. Audrey Guskey, professora de marketing na Universidade de Duquesne é de opinião que “as pessoas recordam o anúncio, mas não o produto anunciado”. De facto não é preciso ir a extremos, mas anunciar uma marca de carro com uma mulher semi vestida é, além de um grande mau gosto, uma valente estupidez: as pessoas prestam muito pouca atenção ao carro...

 

Os nossos publicitários têm muito que aprender se querem que os produtos anunciados tenham impacto no consumidor. Não é fazer como até agora, em que os anúncios deviam ser censurados, uma vez que são impróprios para pessoas decentes. A continuar assim as pessoas não decentes fixam o anúncio, mas esquecem o produto anunciado.

 

George Gwerbner que foi decano de uma Universidade da Pensilvânia, em matéria de comunicação explica a razão de tanta violência e sexo na televisão. Diz ele que os programas desse tipo são revendidos com facilidade no mercado global das televisões porque não necessitam tradução, nem subtileza de argumento, nem qualidade de personagens, nem grande cultura.

 

E assim vai este mundo – uma lixeira, onde as moscas (neste caso as pessoas pouco ou nada decentes) se sentem bem. Felizmente que ainda há muita gente que se sente incomodada com o «mau cheiro»!

 

                                                                                     Maria Fernanda Barroca