Publicidade enganosa

 

 

Vou-me referir, neste momento, aos anúncios publicitários que passam, até à saciedade nos diversos canais da nossa TV.

 

De todos esses anúncios os que mais me chocam são os que «oferecem» dinheiro com a maior das facilidades. Querem convencer os incautos que podem resolver todos os seus problemas com um simples telefonema; imediatamente o dinheiro aparece, mas… aqui é que está o busílis da questão, não informam como restituir esse dinheiro. Parece paradoxal eu dizer que «oferecem» dinheiro para gastar, e diga agora que tem de ser restituído. Mas é verdade, só que pedem, por exemplo 100 e têm de pagar, no fim do prazo estipulado, muito mais que isso pois os juros são elevados.

 

Que se recorra ao crédito numa aflição momentânea, como por exemplo uma doença, eu ainda aceito, mas que se aliciem as pessoas a recorrer ao crédito para fazer viagens, comprar coisas supérfluas, ou até inconvenientes, deixa-me indignada. A TV que só pensa no lucro que lhe dão os anúncios passa-os a toda a hora e momento com uma insistência irritante. Se apanha uma pessoa cobiçosa, gastadora, leviana, consegue os seus intentos e o tal telefonema é feito – as consequências vêm depois.

 

Mas dentro desses anúncios há um que me revolta de modo particular. Aparece um trabalhador da construção civil, coberto de pó, talvez cimento, empurrando um carro de mão; então ouve-se uma voz dizer: «para quê trabalhar?» e logo a seguir aparece a solução milagrosa – o recurso ao crédito sem qualquer esforço, basta o tal telefonema.

 

Com tal publicidade não vamos longe – o país precisa de incentivos ao trabalho para ganhar dinheiro e criar riqueza, e não conselhos como o que referi.

 

Para que serve a Defesa do Consumidor? Não servirá também para o alertar do beco sem saída em que se mete, quando recorre levianamente a tais empréstimos? Eu pensava que sim, mas parece que me enganei, pois as tais ofertas são em número crescente. E mais, patrocinam os programas mais vistos, para atingir maior número de telespectadores.

 

Maria Fernanda Barroca