O Natal é do Menino Jesus!

 

 

 

A maioria das pessoas chega ao dia 24 de Dezembro esgotada com a azáfama que o Natal supostamente implica. Começando pelos presentes que se compram e terminando nas rabanadas ou filhoses, há uma infinidade de pormenores que fazem desta uma época extenuante para a maioria das pessoas. Mas todos temos – ou fazemos – o Natal à nossa medida. E que medida é essa? Cabe a cada um evitar as inúmeras solicitações que vêm de todos os lados e concentrarmo-nos no essencial, o que nem sempre é fácil. Senão, vejamos:

Desde finais de Outubro que a publicidade atinge os mais vulneráveis: as crianças, as quais por sua vez pressionam os adultos. Basta ver os anúncios a brinquedos cuja cadência, nos intervalos dos espaços televisivos infantis, é impressionante. A meio de Novembro começam a ver-se iluminações por toda a parte. As montras das lojas enchem-se de artigos chamativos que apetece comprar, e juntamente com elas vêm as facilidades de crédito imediato, uma armadilha em que tanta gente cai e cujo valor vai sendo cada vez maior …A partir do dia 1 de Dezembro é o caos: a juntar aos anúncios que ocupam uma infinidade de tempo de emissão somos bombardeados por filmes, desenhos animados espectáculos de Natal…

Mas tudo gira em volta da figura do pai natal, da árvore enfeitada e das luzes, que por sua vez implicam compras e consumo. Não há local que não tenha uma árvore de plástico, não há rua onde não haja um pai natal insuflável pendurado numa varanda ou janela, em postes de electricidade, como se fosse um mico de circo… Enfim, eu diria que se pretende que o pai natal, afinal, seja o grande protagonista de uma festa que, afinal, nem sequer lhe pertence[1]!

 Isto tudo para dizer que, infelizmente, o Festejado só raramente surge no ecrã (excepção feita à RTP que este ano tem exibido a série sobre a vida de Cristo, entre outros), e cada vez menos nas montras, e na rua. Quem menciona o Menino Jesus? Quantas crianças sabem que no dia 25 se comemora o nascimento de Cristo e quantas saberão quem é Cristo? Porque se pretende esconder este Jesus pequenino, por detrás de tantas luzes, tantas árvores enfeitadas, tantas compras, tanta azáfama? Ele que nasceu como o mais pobre dos pobres, e que nem sequer teve lugar numa casa decente para nascer? Porque se “disfarça” cada vez mais este acontecimento extraordinário que foi o facto de Deus se fazer homem e como homem nascer?

A meu ver, a simplicidade do presépio, na sua beleza e imenso significado, foi renegado para segundo plano, para a maioria das pessoas. E, no entanto, apenas Deus na Sua imensa sabedoria poderia envolver a Sua vinda até nós de uma forma tão simples mas tão espectacular: uma Virgem, um estábulo, pastores, anjos e uma estrela. E por mais que na cultura e no mundo contemporâneo as pessoas se atordoem, não se festeja o aniversário de alguém que não está presente entre nós. Mesmo que muitas vezes não o vejamos debaixo das luzes, da correria, das compras, das filhoses, Cristo está no meio de nós. Vivo. Sempre. Como Ele mesmo prometeu.


 

[1] Para quem não se recorda, o pai natal é S. Nicolau, cujo dia se comemora a 6 de Dezembro, festa que por cá nunca teve tradição…