SERENIDADE

 

 

 

A leitura duma reflexão sobre os problemas da Ética Contemporânea levou-nos a considerar a Serenidade como uma virtude essencial e muito aconselhável nos tempos que estamos vivendo. Como assinalou a Filosofia de todos os tempos, ela é a atitude razoável do Homem face ao destino, e portanto recomendável aos portugueses que estão a viver uma crise de moral muito séria.

Não interessa agora explicar como aqui chegámos nem atribuir responsabilidades. – deixemos isso para os historiadores da nossa época.

Os nossos políticos e outros actores sociais, como os comunicadores, têm de reflectir muito seriamente na atmosfera criada na opinião pública, embora acreditemos que a actual crise se não aproxima das crises nacionais de 1908, 1918 e 1926, que tiveram desfechos desastrosos .

Os tempos são outros mas o País é o mesmo e devemos aproveitar as lições da História.

É por isso que nos parece oportuno saudar os sintomas de ligeira melhoria no diálogo político.

Os lideres da Oposição e do Governo têm estado a usar uma linguagem comedida, embora oportuna, e o Presidente da República tem dado o exemplo de moderação na sua maneira de actuar.

Alguns actores sociais inconscientes têm protestado exigindo mais espectáculo, mas estão fora da razão e serão responsabilizados perante o País pela intensificação da crise se insistirem em tão insensata atitude.

Já sabemos  que os vícios mais perniciosos da Política nos países da Europa Meridional são a Hipermediatização e a Sobrepartidarização, por isso devemos ter isto muito em conta, sobretudo no caso de Portugal.

Se os políticos devem moderar os seu discurso, já os Media devem reforçar a sua auto-contenção face ao comportamento daqueles.

Os portugueses podem ultrapassar esta crise como já aconteceu no passado, apenas é necessário criar um clima de confiança que neutralize o infeliz pessimismo actual, para o que um discurso optimista dos Media é contribuição essencial.

É isso que deles esperam os que, como nós, continuam a acreditar nas virtudes do nosso povo.

   

 

 NC/11/5/06

Manuel José Lopes da Silva, Professor Jubilado UNL