CONTRADIÇÕES

 

 

   

   

Embora preferíssemos tratar de temas relacionados com a cultura ou a educação  (os alunos e os Professores)  a pressão da TV de actualidade sobre os telespectadores, de facto, não o permite.

Problemas como o preocupante, e nalguns casos trágico, desemprego, estão quase sempre presente nos canais, de vários modos desde as entrevistas às mesas redondas, destas aos “fóruns”, desviando a nossa atenção . Poderão tais programas justificar-se como tendo interesse jornalístico, mas a verdade é que por serem repetitivos já nem chegam para interessar o público e, pior do que isso, em geral não apontam nenhuma saída para a crise criando estados de frustração no cidadão corrente.

Naturalmente que , de quando em quando, surge uma perspectiva mais optimista porém logo contestada pelos outros intervenientes que cultivam o tradicional pessimismo lusitano.

Paradoxalmente outro tema de presença recorrente nas telas da TV é o das frequentes, demasiado frequentes greves, de todos os trabalhadores contra todos os patrões. 

Naturalmente que não vamos aqui contestar o direito à greve dos trabalhadores, que eles consideram um dos pilares da democracia. Todavia há que reflectir sobre a sua possível incompatibilidade com os interesses da sociedade.

Vivemos todos um período difícil, em que temos de aceitar limitações para algumas justas aspirações pessoais   - cremos que isso é sentido pela universalidade dos portugueses.

Por isso ficamos incomodados com as razões por vezes invocadas para justificação de algumas greves, sendo evidente que muitas delas têm como objectivo perpetuar benefícios profissionais que são chocantes porque contrastam com os apertos que sofrem tantos e tantos portugueses.

E depois, é evidente que exigências corporativas no seio das empresas ou serviços impedem tais organizações de se expandirem e de proporcionarem mais empregos. Um tal dilema sistémico é acessível a qualquer pessoa mesmo sem qualquer formação especializada.

Há aqui um problema ético oportunamente assinalado pela Igreja desde a Rerum Novarum, sublinhando que a sociedade deve ser poupada a transtornos injustificáveis face aos motivos invocados para as greves.

Só que desta vez a nossa situação é difícil, certamente muito difícil, e por isso os Media deveriam ajudar a que um tal dilema se não impusesse, recordando aos grevistas que a greve é um recurso “extremo” e não é um qualquer interesse corporativo que justifica os enormes transtornos provocados aos já martirizados cidadãos.

 

 06-Mar-2006

Manuel José Lopes da Silva, Professor Jub. UNL.