BALANÇO DE 2006

 

 

A grave crise nacional faz passar para segundo plano os grandes acontecimentos mundiais como o declínio da hegemonia da América, a guerra israelo-árabe, a guerra civil no Iraque  ou a visita conciliatória de Bento XVI à Turquia.

Em Portugal o novo estilo da Presidência da República acaba por ser o facto político mais importante do ano que agora finda ; com efeito, a sobriedade praticada teve reflexos positivos no relacionamento com o Executivo, tendo-se estabelecido relações frutuosas que asseguram o bom funcionamento do regime num período muito difícil para o país.

Já o mesmo se não pode dizer dos partidos, em crise institucional, para o que se não vê fácil saída dado que se instalou um clima malsão de contestação dos lideres com inúmeros protagonistas partidários a porem-se em bicos de pés para arrebatar tão frágil poder. Lamentavelmente não surgem novos lideres capazes de levar os partidos a cumprirem a sua exigente missão, que é a de oferecerem alternativas a um Governo de maioria.

Esta inconsciência do perigo em que o País se encontra projecta - se em toda a sociedade que se lançou ao longo de todo o ano em hábitos de consumismo incompatíveis com a limitada capacidade da nossa economia, para o que muito contribuiu a TV. 

O consumo excessivo do período de Natal alarmou os economistas, e vimos mesmo o Presidente da DECO ( Defesa do  Consumidor) a exprimir a sua  preocupação.

Uma onda lamacenta de materialismo, consumismo e hedonismo tem inundado a sociedade e reflectiu –se naturalmente na programação televisiva.

Durante o período natalício sempre os Operadores comerciais deram um ou outro programa assinalando uma quadra festiva que apela à sensibilidade de muitos portugueses, para não dizer da maioria.

Este ano apenas a RTP assinalou o período festivo, e muito bem, com duas mini – séries de excelente qualidade.

Uma foi a versão pós – moderna da “Vida de Cristo” uma grande co– produção europeia. A atmosfera virtual criada que apostou em sublinhar excessivamente a humanidade de Jesus, não nos convenceu, tanto mais que a TV por Cabo nos brindou com o clássico Ben- Hur, numa realização impecável que inspirava a adesão e o respeito pela Sua Figura.

Porém a outra mini – série foi uma muito agradável surpresa – a figura de João Paulo I, o Papa da alegria, foi tratada  pela RAI com a maior dignidade e respeito pela verdade histórica.

Foram claramente ultrapassadas as especulações feitas em torno da sua morte prematura, e a invocação da sua ligação a Fátima surpreendeu-nos, mas ajudou a compreender a relação muito especial que João Paulo II viria a ter com a profecia dos pastorinhos.

Façamos votos para que o Serviço Público de Rádio e TV continue fiel à sua missão de promover os valores da nossa sociedade, contrariando a massificação e o embrutecimento da sociedade  por que optaram os canais comerciais.

 

Manuel José Lopes da Silva, Professor Jub. UNL

NC- 3/01/07