ATENÇÃO EDUCADORES

 

 

 

Nas sessões de Educação para os Media organizadas por Associações Cívicas (por exemplo a ACMedia) ou por Universidades (por exemplo Universidade do Minho), um problema importante normalmente abordado é o comportamento aconselhável dos telespectadores face à transmissão de telenovelas.

Há dois planos distintos de análise dessa situação, o da criação de teledependência e o dos conteúdos.

A realização destes programas atingiu com o tempo um excelente nível, não só na direcção de actores como na captação e processamento de imagens.

Técnicas de manipulação são aplicadas quer na escrita dos guiões quer nas operações para prender a atenção dos telespectadores e levá-los a assistir ao programa seguinte – criando teledependência.

Naturalmente que isto viola a intimidade das pessoas e condiciona a sua liberdade, que em geral se não apercebem da situação em que se encontram.

Mas, mais grave, é o que acontece no plano dos conteúdos, que se destinam a um consumo de massa e promovem os mais negativos valores da sociedade materialista em que vivemos.

Valores como a Família ou o Diálogo entre gerações não são respeitados, propondo-se antes atitudes de libertinagem e irresponsabilidade.

Quem poderá exigir aos Operadores que deixem de agredir deste modo subtil os valores de que depende  a sobrevivência da nossa cultura? Receamos que o Poder Político seja incapaz de os obrigar a respeitar a sociedade, que eles deveriam servir e não manipular.

É por isso que é grande a responsabilidade dos Educadores neste momento em que inquéritos sociológicos revelam que as crianças e adolescentes têm preferência por tais programas, por exemplo “Morangos com açúcar”.

Se os adultos são vulneráveis às suas propostas, muito mais o são eles  porque estão numa fase crítica do seu desenvolvimento.

Temos o dever de acompanhar e auxiliar os nossos educandos na selecção dos conteúdos, fugindo aos nocivos e procurando os que os promovam culturalmente.

Não podemos transferir as nossas responsabilidades de educadores nem para os Operadores que nem sequer respeitam a Lei da TV, nem para o Estado que os não é capaz de fiscalizar.

   

 

 31-Mar-2006

Manuel José Lopes da Silva, Professor Jub. UNL.