A CARTA

 

 

 

Já temos referido várias vezes a confrontação de culturas dos nossos dias de que o ataque às Torres Gémeas foi apenas um episódio desumano, sangrento. De facto a guerras do Afeganistão e a do Iraque continuam hoje um conflito que desde o Sec. XI parece ser uma constante histórica.

As questões do Iraque e do Irão , inicialmente de índole diplomática e parecendo susceptíveis de negociação degeneraram num conflito ideológico que os Media (sobretudo a TV) têm enormemente amplificado.

De parte a parte tem sido feita uma propagando ideológica intensa que torna difícil um julgamento justo, e o apuramento da responsabilidade moral por uma situação mundial extremamente critica.

Do lado islâmico tem prevalecido a argumentação confessional, insensata e violenta; do lado ocidental invocam-se valores como a democracia, o direito ou a segurança mundial. Em ambos os lados generaliza-se a incapacidade de compreensão dos argumentos contrários.

E é neste contexto que surge a carta dirigida pelo Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad ao presidente Bush que vários observadores ocidentais consideram repleta de anteriores acusações e sem qualquer nova proposta.

E, no entanto, esta peça política tem algumas afirmações importantes que poderão ajudar a implementar futuras negociações.

Surpreendentemente o Presidente Mahmoud recorda que faltar à Verdade é repreensível em qualquer cultura, constatação que só surpreende por ser referida neste contexto, mas que é efectivamente uma base do diálogo intercultural que tem sido proposto por várias instâncias, como o Vaticano.

Mas se o respeito pela Verdade é necessário a uma vida digna em sociedade, também a busca do Bem Comum, da Paz, será certamente uma meta tanto na cultura islâmica como na cristã. As nossas sociedades da Comunicação do Sec. XXI (cristãs ou islâmicas) precisam efectivamente, como propõe Mahmoud, de um regresso aos seus valores fundacionais como por exemplo a invocação do Deus Criador ( como na Declaração de Independência dos EUA), a oração ou a esmola (como nos Cinco Pilares).

Neste tão importante programa o papel dos Media, hoje utilizando poderosas Novas Tecnologias, é decisivo.

Que enorme responsabilidade a sua!...

   

 

 NC/18/5/06

Manuel José Lopes da Silva, Professor Jubilado UNL