A PROPÓSITO DA INTERNET ...

 

Toda a gente sabe que as ondas do mar são perigosas, mesmo quando parece reinar a calmaria e por isso os pais logo que podem, ensinam os filhos a nadar e arranjam-Ihes toda a espécie de bóias, das mais simples às mais sofisticadas, enquanto não estão seguros das suas capacidades de autonomia no mar...  mesmo assim, também não costumam deixá-Ios ir nadar para longe, sozinhos...  E fazem os pais muito bem!

Pois é, porém, quando se fala de navegar nas ondas da Internet, talvez por um certo fascínio natural pelas novas tecnologias, por uma certa ingenuidade, ou porque, pura e simplesmente, temos vergonha de reconhecer que os mais jovens sabem muito mais de computadores do que nós, em muitos casos, a verdade é que, nós, os Pais, os deixamos bastante desprotegidos, vogando à vontade, alheios — eles e nós! — a todo o tipo de perigos e riscos! Uma vez mais, temos tendência a demitir-nos!

De acordo com um estudo de um especialista austríaco, o número de pessoas viciadas na Internet já ultrapassa, em alguns países, o número de dependentes de opiáceos como a heroína. Hurbert Poppe, médico numa clínica para desintoxicação de alcoólicos e toxicodependentes, afirma que urge tomar medidas contra esta nova forma de dependência, que afecta sobretudo jovens e pessoas sós, tímidas e com dificuldades de relacionamento e integração na sociedade. Num simpósio intitulado " A dependência, hoje em dia: da heroína à Internet", Poppe explicou que estas pessoas chegam a poder passar 40 horas consecutivas, sem dormir, sempre ligadas ao computador, navegando na Internet, ou fazendo jogos, reduzindo assim os seus interesses a um campo muito estreito e a mera repetição de hábitos e perdendo totalmente o contacto com o mundo real.

Nervosismo, irritação, quebra de diálogo, inclusivamente rotura nos laços afectivos, isolamento, depressão quando perdem acesso à Internet, são algumas das características deste novo tipo de viciado. Alerta pois, aos cibernautas, pais e educadores, uma vez que navegar na Internet é certamente um bem enorme, desde que estejamos atentos e preparados para a usar, pois a Internet pode apresentar não só perigos de contactos directos, ou indirectos, com gente desconhecida interessada em vender aos nossos filhos toda a gama de produtos altamente perigosos — droga, pornografia, etc. — a coberto do anonimato fácil, como pode ser ocasião de criar uma nova dependência, pelos vistos não menos perigosa que outras já bem conhecidas!

 

 

Fátima Fonseca