INQUÉRITO AOS HÁBITOS TELEVISIVOS DA JUVENTUDE

No âmbito da Acção de Formação “Aprender a ver TV” a ACMedia realizou em várias escolas da região Centro do país um inquérito sobre os hábitos televisivos dos alunos.
Destinou-se a um público-alvo de crianças entre os 10 e os 12 anos e obtiveram-se 200 respostas, de escolas situadas em Torres Vedras, Coimbra e Lisboa.
Embora a amostragem não seja muito significativa, a análise dos resultados é, nalguns casos, surpreendente. Assim, quanto ao número de televisores existentes em casa apenas 11% declaram ter apenas 1, 38,5% têm 2 e, num caso, existem 8!
A localização dos aparelhos é variada mas 46% declaram ter o televisor no seu próprio quarto.
Essa localização é coerente com a possibilidade de escolha dos programas que, maioritariamente — 38,5% — é decidida pelos próprios jovens sem interferência dos Pais.
Maioritariamente, também, 51% dos inquiridos vêem televisão à hora das refeições.
As actividades realizadas no fim-de-semana repartem-se quase equi-tativamente entre si, sendo certo que muitos dos inquiridos se dedicam a várias delas.
Quanto ao número de horas utilizadas a ver televisão durante os fins de semana, 23% declaram mais de 8 horas, 36,5% entre 4 e 8 horas e 34% menos de 4 horas.
Os programas mais apreciados são as telenovelas/filmes com 47% de primeiras escolhas, a que se seguem os desenhos animados com 27% de primeiras escolhas. Os telejornais/ programas culturais recebem apenas 4,5% de primeiras escolhas.
Embora, como já se frisou a amostragem não seja suficientemente alargada para que se possam tirar conclusões definitivas, parecem desenhar-se, contudo, algumas tendências susceptíveis de reparo tais como a liberdade total de escolha dos programas dada aos jovens pelas famílias, o número exagerado de horas de televisão “consumidas” nalguns casos e o pouco interesse pelos programas culturais versus o grande interesse demonstrado pelas telenovelas.
Julgamos assim que o trabalho iniciado com as acções “Aprender a ver TV” poderá ser útil aos educadores e educandos que pretendam potenciar o que a Televisão oferece de bom no aspecto sócio-cultural e minimizar o muito que, infelizmente, oferece de inconveniente.
Teremos que lembrar, contudo, que tal só será possível com o empenho permanente dos Pais e demais educadores pois só eles, no seu contacto diário com os jovens, lhes poderão transmitir o sentido crítico e a sensibilidade que mais tarde, lhes permitirá fazer as escolhas correctas.