IMPROPÉRIOS PÚBLICOS


 

in Notícias da Covilhã

 

 

O tom sem nível do diálogo entre políticos despertou, enfim, a atenção de muitos analistas do processo político, que por vezes demonstram uma indesculpável tolerância face a outras agressões verbais inaceitáveis.

Os nossos leitores sabem como há já algum tempo temos manifestado apreensão pela manifesta violação das regras mais elementares da convivência democrática, da tolerância mútua que os políticos devem viver exemplarmente.

Sem querer ser alarmista, mas pensando na gravidade da situação que vivemos e no poder dos Media dos nossos dias, recordamos com frequência alguns episódios da nossa história que deveriam levar os actores sociais e políticos a pensar nas terríveis consequências dos seus discursos na sociedade de massa, dominada principalmente pela TV.

Em 1921 o Primeiro Ministro Granjo e vários outros políticos em evidência, foram selvaticamente assassinados por militares revoltados.

A ferocidade do episódio comoveu todas as pessoas bem formadas, quer da oposição quer do Governo. E uma delas, Cunha Leal, teve um desabafo que a história registou, e que deveria ser recordado em ocasiões críticas de excesso de oratória. Ele reivindica para si e os outros políticos da época a responsabilidade de ter excitado os ânimos de indivíduos inconscientes contra figuras em evidência, com os seus discursos no Parlamento e artigos nos jornais -  também estes responsáveis por amplificar o conflito.

Ora os Media do Sec. XXI têm muito mais audiência que os dos meados do século passado, e a sociedade exibe fracturas que bem gostaríamos que não existissem. Não conhecemos ainda suficientemente os efeitos da comunicação de massa, embora dispúnhamos já de algumas conclusões sobre a indução de violência na sociedade pela TV.

Os actores sociais não podem continuar a estar cegos pela paixão política para avaliar as consequências do seu comportamento público. Como dizia um comentador, eles podem pensar muito mal dos adversários, mas não o devem manifestar em público de modo impróprio de pessoas politicamente responsáveis.

E, atenção, os Media devem “não” transmitir os episódios mais inflamados – precisamente esses, devido ao seu sentido de responsabilidade social, que os deve levar à auto- contenção face aos excessos dos políticos.

 

 

Manuel José Lopes da Silva, Professor Jub, UNL