EDUCAR  PARA  OS  MEDIA

 

 

 

Um grande bem ou um grande mal nos pode advir do uso dos mass media: é a nós que compete usá-los para finalidades positivas e de modo correcto, ou para finalidades negativas e de modo incorrecto. Eles podem levar o indivíduo a ascender aos píncaros do génio e da virtude humana ou a descer às profundidades da desgraça, dado o seu potencial para o bem ou para o mal.

 

O rápido desenvolvimento dos meios de comunicação, a revolução tecnológica e informática permitiram e promoveram a generalização à escala planetária do acesso da população a todo um sistema global de circulação da informação.

 

O fluir de conhecimentos, notícias e entretenimento produziu uma maior aproximação entre indivíduos e sociedades ajudando a derrubar as tradicionais fronteiras de classes, sociedades e culturas.

 

A sua amplitude e diversidade permitem-nos fantasiar o tempo real e construí-lo sobre o modelo do mercado de capitais, ao sabor de interesses financeiros infindos e ininterruptos, tendo como fim primordial o lucro. A qualidade e a liberdade dos mass media estão cada vez mais ameaçadas pelo apetite económico dos grandes grupos industriais e mediáticos que, esfomeados, espreitam centenas de milhares de utilizadores, habitantes deslumbrados de um ciberespaço imaterial.

 

De uma forma por vezes confusa, todos sentimos que alguma coisa não está bem no funcionamento deste sistema de informação. Embora ninguém negue a sua função indispensável na existência duma Democracia é difícil não vermos o lado extremamente uniformizante, empobrecedor e acrítico que ele produz, aliada a uma certa passividade e desencanto.

 

A maioria das comunidades dos profissionais de comunicação deseja utilizar os próprios talentos para servir a humanidade e sente-se inquieta e insegura face às crescentes pressões económicas e ideológicas para rebaixarem os padrões éticos presentes em muitos sectores dos mass media.

 

A comunicação social tem o imenso poder de promover a felicidade e a realização humana, pois toda ela é um serviço aos outros, é um esforço para a comunhão entre os homens no sentido do bem comum, da verdade acerca da vida, da promoção da liberdade e interdependência recíprocas.

 

Aos jornalistas, sobretudo aos da televisão que têm cada vez mais poder, cabe a exigência de uma maior reflexão sobre a extensão da sua força, que nunca pode ser de omnipotência ou prepotência. Mas não esqueçamos que o desenvolvimento positivo dos media ao serviço do bem comum é uma responsabilidade que a todos nos assiste.

 

 Face aos fortes vínculos que os prendem à economia, política e cultura, é necessário um sistema de gestão que possa salvaguardar a centralidade e a dignidade da pessoa, a primazia da família, como célula fundamental da sociedade, e a correcta relação entre os diversos sujeitos.

 

Assim, urge rever a importância da formação e educação dos cidadãos para o uso crítico dos media, com uma livre e responsável participação na construção dum maior diálogo, conhecimento, solidariedade e paz ao serviço da compreensão entre pessoas e entre povos.

 

 

 

Maria Susana Mexia