Controlo do Tempo de Utilização


 


Por Tito de Morais

 

 

Duração das Sessões e Horários de Utilização

 


Esta preocupação não é exclusiva de pais e educadores. Por razões semelhantes ou diversas, esta também é uma preocupação de responsáveis pela gestão de espaços públicos que fornecem acesso gratuito ou pago a computadores e à Internet.  

Espaços tais como bibliotecas, espaços Internet, cibercafés, hotéis, etc. Uns, como é por exemplo o caso de algumas bibliotecas, como forma de garantir que os postos de trabalho não são monopolizados por alguns utilizadores, adoptam programas de controlo da duração das sessões. Desta forma garantem que os computadores não sejam utilizados por períodos de tempo superiores a, por exemplo, uma hora, pelo mesmo utilizador, a menos que haja outros postos disponíveis.  

De certo modo, este tipo de programas ajudam a garantir a equidade no acesso aos recursos que disponibilizam para os seus utilizadores. Por outro lado, espaços como cibercafés e hotéis, que geralmente cobram pelo fornecimento de acesso aos seus computadores e à Internet, têm necessidade deste tipo de controlos já que geralmente vendem esse acesso sob a forma de blocos de tempo de acesso a esses recursos.

 

Utilização Doméstica


A nível doméstico, para além de ajudarem a garantir a equidade de acesso quando mais de um utilizador usa um mesmo computador, este tipo de controlo parental permite ainda impedir o acesso na ausência dos pais ou de um adulto responsável, eliminar discussões quando é chegada a hora de deitar ("só mais 5 minutos"), reduzir o stress dos pais evitando discussões sobre o tempo de utilização ("agora é a minha vez!"), evitar a utilização excessiva e os seus aspectos potencialmente nocivos (dependência, obesidade, redução do rendimento escolar, isolamento familiar, etc.) e, claro está, controlar o tempo de utilização.  

Este tipo de programas permite geralmente criar calendários e horários de utilização do computador e da Internet pelos seus utilizadores. Este tipo de controlo parental permite definir limites de tempo de utilização por dia, semana ou mês. Permite definir limites máximos de utilização por sessão e diferenciar a utilização de dia e à noite, diferenciar a utilização aos fins-de-semana, da utilização aos dias de semana e até durante os períodos de férias escolares ou em períodos de doença, por exemplo.  

Todos estes instrumentos de controlo podem ser definidos em função de cada utilizador, ficando a sua alteração protegida por palavra-chave. Este tipo de programas geralmente também permite o acompanhamento parental do tempo de utilização, mesmo remotamente. Geralmente também permitem efectuar alterações remotamente ao que havia sido estabelecido.  

Outra funcionalidade interessante é a possibilidade de atribuição de blocos de tempo extra, seja como forma de premiar um utilizador, seja em situações de emergência ("acabou-se o meu tempo de utilização e ainda não acabei o TPC!"). Este tipo de programas permite ainda bloquear ou limitar o tempo de acesso a alguns programas específicos tais como jogos, mensagens instantâneas, etc. No limite, este tipo de programas permite também impedir, pura e simplesmente, a utilização do computador por um, alguns ou todos os seus utilizadores.

 

Software Especialista

 
Alguns dos programas dispõem de funcionalidades ao nível do controlo do tempo de utilização do computador e dos seus programas. O Windows Vista também oferece algumas funcionalidades a este nível. No entanto, existem programas especialistas neste domínio que geralmente desenvolvem e levam mais longe as funcionalidades básicas apresentadas pelos programas tipo "faz-tudo". Estes programas especialistas são geralmente programas comerciais sendo os mais conhecidos por ventura o Enuff PC e o ComputerTime.

 

E o Magalhães?!


O Magalhães inclui algumas das funcionalidades que referi acima, mas como facilmente se depreende, estas dificilmente poderiam vir activadas "de fábrica". Tratam-se de configurações que variam em função de cada família e que, como tal, deverão ser definidas por cada família. Não há, assim, discussão possível sobre se este tipo de controlo devia ou não vir activado de raiz no Magalhães.  

As questões que se colocam a este nível são então basicamente duas. Por um lado, ninguém nasce ensinado. Assim, se alguns pais vierem a descobrir por si rapidamente como proceder a essas configurações, a verdade é que a esmagadora maioria não o saberá, resultando daí a necessidade imperiosa de dar formação a estes "Pais Magalhães".  

Por outro lado, mesmo que alguns pais saibam como efectuar estas configurações, não fica claro como conciliar 25 configurações diferentes, numa turma de 25 alunos, de forma ao computador poder ser utilizado em sala de aula. E a ideia de partilhar palavras-chave contradiz o princípio básico de segurança que deve ser transmitido a todos, crianças e adultos, e que diz "as palavras-chave são como a roupa interior e a pasta de dentes: não se partilham, não se emprestam e cada um usa a sua".