Controlo Parental: O Que é, Para Que Serve?



 

 Tito de Morais

 

 

 

Com a distribuição dos primeiros 3.000 Magalhães, muito se falou sobre controlo parental. Muito se disse e se escreveu sobre o assunto. Mas pouco ou nada se ficou a saber sobre este tipo de programas. O que são, para que servem e como podem ser usados. Este artigo pretende dar uma ajuda.

 

A questão do controlo parental no Magalhães surgiu a propósito de uma peça no Primeiro Jornal da SIC. Na peça, o jornalista usa um Magalhães para efectuar três pesquisas no Google usando para o efeito as palavras "vagina", "sexo" e "gata".

 

Dos resultados obtidos conclui que qualquer criança usando o Magalhães poderia aceder a conteúdos impróprios ou sensíveis para crianças. Daqui conclui que o controlo parental do Magalhães estava desactivado. A partir daqui reduz-se o controlo parental a um mecanismo de filtragem, quando na realidade esta é apenas uma das funcionalidades geralmente disponíveis num programa de controlo parental. Quais são então essas funcionalidades, como funcionam e como podem ser usadas? Podem ou não ir activadas "de raiz"? É o que pretendo explicar nesta série de artigos.

 

Controlo de Acesso ao Computador


Esta é uma das funcionalidades disponíveis em sistemas operativos como o Windows, mas não só, que se enquadra no conceito de controlo parental. Está por isso também disponível neste tipo de programas. Para usar o computador, o utilizador tem de dispor de um nome de utilizador e de uma palavra-chave. Sem eles não consegue passar do ecrã inicial ou da janela que solicita essa informação. Sem eles não se consegue aceder às funcionalidades, programas, pastas e ficheiros instalados num dado computador. Mas como o meu filho de 11 anos hoje me lembrou, alguns computadores mais modernos permitem que este tipo de autenticação seja feito mediante dispositivos biométricos, como seja a leitura de uma impressão digital. Este tipo de controlo é pode-se chamar parental quando num dado computador existem pelo menos dois utilizadores definidos, sendo um adulto, e o outro, uma criança.

 

Deve caber ao adulto a função de administração do computador, nomeadamente a criação de outras contas/perfis de utilizador nesse computador ou numa rede de computadores. Se um computador sai de fábrica ou do fornecedor já configurado, geralmente vem configurado apenas com uma única conta, com privilégios de administração e, geralmente sem palavra-chave atribuída, devendo esta ser definida posteriormente pelo utilizador. Alguns fornecedores poderão atribuir uma palavra-chave a esta conta, indicando-a geralmente em documentação distribuída com o mesmo. Em todo o caso é sempre aconselhável a alteração/criação de uma nova palavra-chave pelo utilizador/administrador.

 

A título de curiosidade, todos os computadores equipados com Windows dispõem desta funcionalidade por vezes pouco utilizada em ambientes domésticos. Uma das recomendações que faço a nível parental e por razões de segurança consiste na criação de uma conta de utilizador para cada membro da família, ficando a conta de administração definida apenas para essa função e não para outra utilização, como navegar na web, etc. Outra é a que conta de administração seja gerida pelo pais ou por outro adulto ou irmão mais velho em quem se possa delegar essa responsabilidade.

 

 

Controlo de Acesso a Hardware e Software

 
Esta funcionalidade permite ao administrador de um computador ou rede de computadores, definir - permitindo, negando ou permitindo com restrições - o acesso de outros utilizadores a determinados programas, pastas e ficheiros instalados num dado computador ou rede de computadores.

 

Ao nível do software, este tipo de funcionalidade pode passar não só pelo tipo de restrições referidas, que podem ser importantes para impedir a eliminação de ficheiros importantes a nível pessoal ou até operacional da máquina, mas pode também passar pela proibição de instalação de programas adicionais ou remoção de programas existentes, seja esta deliberada ou acidental. Ou por impedir a gravação de ficheiros no disco rígido, permitindo-o apenas em suportes externos, funcionalidade por vezes encontrada em computadores públicos.

 

De igual modo, este funcionalidade pode ser extensível a dispositivos, sejam estes os instalados no próprio computador ou numa determinada rede de computadores a que ele se ligue. Desta forma, pode ser permitido, negado ou permitido com restrições o acesso a impressoras, diskettes, drives de CD-ROM, DVD, portas USB, etc. Este tipo de funcionalidade, associada às contas de utilizador referidas no parágrafo anterior, permite proteger um dado computador ou rede de computadores de utilizações abusivas ou irresponsáveis, salvaguardando por exemplo as suas funcionalidades básicas, como sejam as do sistema operativo.

 

Este tipo de funcionalidade é bastante usada em computadores públicos como os disponíveis em bibliotecas, espaços Internet, etc. Como forma de salvaguardar os equipamentos, controlar a utilização de dispositivos de cuja utilização podem resultar custos (impressoras, por exemplo), mas também como forma de restringir a utilização de suportes digitais externos (tais como diskettes, CD's, DVD's, Pen's, etc.) que podem ser portadores de vírus ou causadores de alguma perturbação/ruído (leitores de MP3, câmaras digitais, etc.).

 

Se ao nível do software (programas, pastas e ficheiros) este controlo faz-se também ao nível de computadores pessoais, ao nível do hardware ele é geralmente feito ao nível de redes de computadores, se bem que também se possa definir ao nível de computadores pessoais. Ao nível deste tipo de funcionalidades, tenho geralmente referido dois programas gratuitos, o Windows SteadyState e o WinPolicy Freeware, e um comercial, o DeepFreeze.

 

Se os primeiros ainda podem ser usados em postos de trabalho individuais, o segundo dispõe ainda de uma versão comercial para redes de computadores, já o terceiro se destina exclusivamente a redes de computadores. Isto para dizer que, se o Magalhães incluir controlos a este nível - e do que julgo saber inclui - estes dificilmente poderiam estar activados de raíz. Não faria sentido que estivessem, dada a diversidade de opções. A estarem disponíveis, como julgo ser o caso, seria no entanto importante que fossem documentadas juntamente com o computador ou até no site de apoio onde, à data em que escrevo, nada figura.