Começar de novo...

Marta Roque

 

Ano novo, vida nova!! É este o lema que o português deve ter depois da eleição de Cavaco Silva nas presidenciais de Janeiro.

Depois de um ano 2005, especialmente conturbado a nível nacional com a mudança de governo,  a eleição de Cavaco vem assentar um pouco as hostes.

 Ao reduzir os benefícios fiscais da função pública, o governo de Sócrates levou a uma onda de contestações, um pouco por todas as ordens e sindicatos nacionais. Facto inevitável e necessário para repensar o sistema de segurança social actual. Os acontecimentos tornaram-se verdadeiramente quentes com um verão abrasador com os incêndios que devastaram o pais inteiro, em Agosto passado.

Em Novembro o ano político aqueceu com a pré-campanha para as presidenciais, marcada por uma esquerda fragmentada com 5 candidatos à esquerda: Mário Soares, Manuel Alegre, Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã e Garcia Pereira. Facto inédito na jovem democracia portuguesa com apenas 31 anos. Cinco homens apresentaram-se para derrubar um único candidato da direita.  A campanha traduziu-se por um ataque cerrado a Cavaco, os media aceitaram o desafio e não conseguiram, mais uma vez, impor o debate de ideias por forma a conhecer melhor as alternativas políticas. O jornalismo, também, tem responsabilidade na forma como orientou a discussão das presidenciais. Poderia ter-se feito muito mais, do que meras reportagens de campanha. Os políticos visitaram o pais inteiro por duas vezes, no entanto, ficámos com a sensação que há muito mais para mostrar do que umas visitas a feiras e jantares comício.

Mas afinal o que deu a vitória a Cavaco Silva? Será que representa esse D. Sebastião tão português que todos esperamos? O salvador da pátria, preparado para liderar um país meio desgovernado, sem liderança? Na realidade Cavaco representa o self made man, um homem simples que trabalhou para ser académico, participar na vida política, dar o que tinha para ajudar o país. Nasceu em Boliqueime,  no Algarve e licenciou-se em Finanças pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras. É doutorado em Economia pela Universidade de York, Inglaterra onde viveu alguns anos como professor catedrático.

Foi ministro das Finanças de Sá Carneiro em 1980, antes de chegar à liderança do PSD em 1985, para então vencer as eleições e ser primeiro-ministro durante dez anos.

Em 1996, candidatou-se pela primeira vez à Presidência da República, vencido então por Jorge Sampaio. Dedicou-se, desde essa altura, à vida académica, preferindo o silêncio político até chegar o momento certo. Agora em 2006 atinge maioria absoluta com 50,6 dos votos.

Cavaco é um exemplo do esforço que enquanto povo devemos desenvolver para mudar o curso dos acontecimentos. Já é tempo de acreditar que cada um pode dar um pouco sua vida em beneficio da sociedade em que vivemos. Mas isso só depende de nós!