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Por Fátima Fonseca

20 de Fevereiro de 2006



   Regresso finalmente, depois de um mês de Janeiro recheado de acontecimentos, que deixei por comentar, se bem que com a profusão actual de comentários e comentadores, mais um, menos um, não chegue a notar-se a diferença…

Em nossa casa porém, este mês de Janeiro ficou decisivamente marcado por um feliz acontecimento: o casamento da nossa filha Rita com o seu eleito, Nuno! E um casamento tem sempre muito que se lhe diga, mas descansem!, não vai ser este o tema destes dois últimos m2 em falta, para completar e terminar os 100 prometidos!

Poderia começar então, pela OPA de Belmiro de Azevedo, ou pelos “cartoons”; no 1º caso, o acontecimento nacional que mais surpresa causou, no 2º, o acontecimento internacional que mais polémica tem lançado, e que mais dramáticas consequências - destruições, vandalismo e mortes! – continua a provocar.

A OPA, deixo-a “todinha” para os especialistas e interessados, mas a propósito dos “cartoons” que tanta raiva têm provocado de um lado e que com tanta leviandade têm sido encarados do outro, ao ponto de um ministro italiano se permitir a infantilidade e irresponsabilidade de exibir uma T-shirt provocatória em plena televisão, gostaria de deixar uma interrogação.

Todos sabemos como desde o horrendo ataque às torres gémeas de Nova Iorque, a relação entre o mundo árabe e o mundo ocidental tem vindo a deteriorar-se cada vez mais.

Pergunto: para quê deitar mais achas na fogueira? A quem serve toda esta teorização sobre a liberdade de expressão? Será com “cartoons”jocosos, mais ou menos ofensivos para os muçulmanos e suas crenças, que demonstramos a superioridade da civilização ocidental e os fazemos aderir aos valores que apregoamos? Incentivando a fúria de multidões, atacando o cerne das suas convicções, contribuímos para construir a Paz? Evitamos por ventura, a morte brutal de gente transformada em bode expiatório?

O respeito pela vida humana, pela dignidade da pessoa humana, qualquer que seja a sua cor, raça, sexo, idade ou cultura, a própria noção de liberdade, de liberdade de culto e liberdade de expressão, valores tão queridos à nossa civilização ocidental, são infelizmente e muitas vezes apenas “bandeiras” que gostamos de exibir, mas que a História do passado recente e até do presente, se encarrega de negar, tanto por acção, como por omissão…

Não falando já em guerra, nem tortura, atente-se por ex. na dificuldade das ONG’s  e Associações não - lucrativas  em nos sensibilizarem e acordarem do conforto anestesiante das nossas vidas para aderirmos a programas de desenvolvimento nos países mais carenciados…Reparem como tantas vezes ficamos logo desconfiados e indiferentes a pequenos folhetos que encontramos em cafés, nas nossas caixas de correio, ou em revistas, recordando-nos que bastaria que déssemos 10 euros / mês para três famílias da Etiópia terem água potável durante toda a sua vida, ou 21 euros, de uma só vez, para que uma avó da Mauritânia pudesse comprar uma cabra e dar leite aos seus sete netos ( www.intermonoxfam.org) , ou ainda ,10 simples euros, para comprar  antibióticos e um par de sapatos novos para um leproso guineense cujos pés deformados já não cabem nos  velhos sapatos rotos ( 29 Janeiro- Dia Mundial dos Leprosos- Associação Mãos Unidas, Pe. Damião- Portugal)…

Notemos, por exemplo, aqui em Portugal, a dificuldade com que Associações sem fins lucrativos e pessoas a título individual, se fazem ouvir junto do público em geral e junto da autoridades e legisladores, como são ridicularizadas e se procura abafar as suas vozes, quando defendem a vida dos mais desprotegidos, dos que não poderão jamais defender-se, ao fazerem campanha pela realização de um referendo (www.referendo-pma.org/campanha/manifesto.pdf)  sobre Procriação Medicamente Assistida ( PMA),  para evitar nas costas de todos nós, a aprovação de uma tenebrosa legislação - como acaba justamente de acontecer na nossa vizinha Espanha -  que parecendo querer defender a vida , na prática a agride profundamente.

 De facto, permitir o uso do embrião humano como se tratasse de “um objecto” negociável, manipulável ao sabor de caprichos pessoais, interesses económicos e experiências científicas eticamente inaceitáveis, aprovar a existência de “ barrigas de aluguer”, congelamento de embriões humanos e geração de crianças sem um pai e uma mãe biologicamente unidos por uma relação estável, que lhes permita crescer num ambiente favorável e saudável, é demasiado grave e sério para que possamos continuar desatentos, a ligar apenas aos nossos assuntos pessoais e familiares.

Quanta contradição! Por um lado – e bem! – inquéritos e investigações, artigos e debates, sobre maus tratos a crianças nas  famílias e instituições, e por outro, toda esta imitação e corrida urgente “atrás” daqueles e de outros modelos europeus  ditos, mais avançados : liberalização do aborto, da prostituição, “casamentos” de homossexuais e direito à adopção de crianças, liberalização de drogas…

 

Pertenço ao grupo dos que às vezes, se distraem do que não para de acontecer à nossa volta, mas que acreditam que felizmente há sempre Gente atenta a tanto desacato e loucura, Gente que nos acorda e ilumina com a sua palavra e o seu caminhar, e que nos diz: - Não cruzes os braços! Vá, vem daí, tu também! Precisamos de ti, onde quer que estejas! Não penses que os tempos são outros e que és tu que estás enganado! Nós não queremos destruir edifícios, nem matar ninguém…apenas precisamos do teu apoio. Assina, interessa-te, divulga, trabalha.

 

Por isso, lhes quero dizer: Obrigada!

Já consultei o site acima mencionado e vou assinar o pedido de assinaturas pelo Referendo sobre a PMA. Vou também recolher assinaturas.

E vou agradecer à Sofia Guedes, a quem não conheço, o seu belíssimo “grito de alerta”sobre este tema, num artigo que me chegou via notícias do Infovitae e me tocou o coração.