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Por Fátima Fonseca

4 de Dezembro de 2005



   Já quase tudo foi dito e redito sobre a recente polémica da retirada dos crucifixos das escolas, de muitas e variadas maneiras, com ironia e graça, ou em tom sério, de que ressalto, entre outros, os comentários de João Bénard da Costa, Bagão Félix e João Carlos Espada. Disseram muito, mais e melhor do que me passaria pela cabeça dizer. Contudo, ao pensar nas sombrias razões pelas quais uma qualquer associação desconhecida, entre tantas preocupações válidas com a Educação em Portugal, vai apresentar uma queixa ao Ministério precisamente sobre a pacífica existência de crucifixos nas paredes das escolas e a vê tão simpaticamente deferida, ocorreu-me contar-vos uma pequena história verídica que li há algum tempo. Julgo que tudo se terá passado na Alemanha, ou na Áustria, no período de reconstrução após a 2ª Guerra Mundial.

Numa pequena aldeia totalmente destruída, fora encontrado sob os escombros da igreja local, uma peça de valor incalculável. Tratava-se de um Cristo, mas sem cruz, sem braços e sem pés. Reunidas as autoridades locais, uns opinavam que o Cristo só ficaria bem, tal como estava, no museu da capital. Outros entendiam que o Cristo devia ser restaurado pelos melhores especialistas para voltar ao seu aspecto primitivo e à sua igreja. Por fim, depois de grandes divergências, chegaram a uma decisão. E assim, tempos mais tarde, quando a igreja foi reconstruída e reaberta ao público, o Cristo voltou a ocupar o seu lugar de sempre, na zona mais visível e central da igreja. Continuava sem cruz, sem braços e sem pés, tal como fora descoberto, mas por baixo continha agora uma legenda nova, que dizia assim: “ Os meus braços são os vossos braços e os meus pés são os vossos pés”.

De repente, lembrei-me do recente Congresso Internacional para a Nova Evangelização, ICNE, que em princípios de Novembro, em boa hora animou as ruas, igrejas e diferentes zonas de Lisboa, mobilizando multidões de gente de todas as idades, da capital, de outras cidades e de além fronteiras, numa extraordinária manifestação de Fé que culminou numa procissão pelas ruas da capital, debaixo de chuva, e na consagração da cidade à Virgem de Fátima, numa Av. da Liberdade pejada de gente e feéricamente iluminada. E lembrei-me que aquela mesma legenda – “ os meus braços são os vossos braços e os meus pés são os vossos pés” – resume bem o espírito de missão que presidiu ao Congresso e que permanece e perdura agora como um apelo urgente.

 E ponho-me a cismar se não será exactamente essa mensagem – mesmo quando não escrita – que tanto assusta e irrita quem pretende retirar os Cristos das escolas…

Por isso, me comovi, ao receber de imediato, um mail de um amigo que escreveu a todos os seus familiares e amigos sugerindo que talvez seja esta a altura de voltarmos todos, se porventura deixámos, a usar ao peito, nós e os nossos filhos, uma cruz visível, mas sem ostentações, bem rentinho ao coração, àquele coração com que O amamos, para mostrarmos que mesmo que retirem os Cristos das paredes das escolas, nós continuaremos a levá-LO sempre connosco.

Acrescento apenas, uma outra sugestão: no dia em que os retirarem das escolas, se tal acontecer, vamos nós buscá – Los. Não deixemos que à semelhança daquela gruta fria em que o Menino nasceu há dois mil anos, vá agora um só Cristo, morto na Cruz por nosso Amor! apodrecer em caixotes de lixo imundo e infecto, ou em arrecadações húmidas e  abandonadas. É que “Amor com amor se paga”.