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Por Fátima Fonseca

1 de Dezembro de 2004



   Aproxima-se o Natal e os preparativos exteriores aí estão à vista ! Sinais de festa nas montras e nas ruas por todo o lado. Por dentro porém, não parece haver festa no coração inquieto de muita gente !

Escrevo-vos junto à lareira, numa destas noites frias, aqui perto do mar, na Praia das Maçãs. No meio da profusão de surpresas, confusões e incidentes que pateticamente têm caracterizado a vida política portuguesa dos últimos tempos, em que igualmente abundam comentários, especulações, juízos e críticas demolidoras, acompanhadas de perversas lutas pelo poder, eu cá , continuo na minha. Prefiro comentar e dar-vos notícia do que poucos, ou nenhuns comentam ou noticiam. E abro a minha agenda e recordo o itinerário das últimas semanas: Braga, Porto, Beja., Coimbra.

Pela janela, o maravilhoso colorido de mais um Outono passa veloz. Carro, comboio, carro, sol, chuva. Nasce o sol, brilha, escurece, põe-se  e cai a noite. E de novo, corremos por este país fora a “ confirmar e reforçar convicções, as nossas e as de quem nos ouve”, como nos dizia um ilustre convidado. Cenofa e ACMedia, de novo se entreajudam, parceria aqui, parceria ali, vão-se fazendo ouvir, despertando consciências e vontades, ou suscitando reflexão e redobrado interesse.

 Lá em cima, junto ao belíssimo Bom Jesus de Braga, com a preciosa colaboração de duas activas associações - a Casa do Professor e a Associação Famílias - o Cenofa levou a cabo o Seminário “A par e passo com as famílias”, juntando um excelente grupo de conferencistas e falando, entre outros assuntos, das  crises e recursos da Família, dos problemas da educação de crianças e adolescentes, na Família e na Escola, e do seu relacionamento com os seus pares e com as novas tecnologias , esses instrumentos que podem estar, ou não, ao serviço das famílias.

Uma semana mais tarde, no Porto, mais concretamente, nas magníficas instalações da Fundação Dr António Cupertino de Miranda , generosamente cedidas ao Cenofa, (tal como já acontecera há alguns anos atrás), de novo se reuniu um numeroso grupo de pais e educadores - desta vez não propriamente para visitarem a interessantíssima exposição interactiva sobre o dinheiro em papel, que aliás, vivamente recomendamos! - mas para ouvirem o tema “Vamos falar dos nossos filhos”. E foi bem útil sobretudo, a troca de reflexões e propostas educativas à volta da Educação da Vontade e Educação Sexual das crianças dos 0-10, que ali  foram sabiamente apresentadas.

Depois foi a vez da ACMedia participar num concorrido encontro organizado pelo Instituto do Consumidor em parceria com a Deco e a Escola Superior Agrária de Beja, onde teve ensejo de dar a conhecer os seus princípios, projectos, actividades e preocupações,  a nível nacional e internacional, como membro da Fiatyr e Euralva, associações igualmente ligadas à defesa da qualidade dos Media e seus utilizadores, estando a primeira sediada em Espanha e a segunda em Inglaterra.

Alguns dias mais tarde, de novo em Coimbra , fomos convidados a participar num Seminário, pela  fantástica e dinâmica delegação local da ACMedia, que em parceria com a Associação Sindical de Professores Licenciados, propôs, com enorme êxito e afluência, a discussão do tema “Educação versus Media “ Ao longo de um dia de trabalho, pudemos ouvir excelentes contributos, entre os quais o da Drª Maria de Jesus Barroso, na qualidade de Presidente da Fundação Pro Digitate, que muito se tem vindo a preocupar  com o efeito da violência da televisão e jogos electrónicos na criança e no jovem, e que nesse sentido tem vindo a realizar diversas iniciativas de relevo no âmbito da premente necessidade de educar para a Paz.

 

Agora que esta etapa de intensa actividade chegou ao fim, confesso que olho para trás com algum cansaço, mas sobretudo com alguma apreensão.

Se as pessoas soubessem como é difícil fazer Associativismo em Portugal! Quem vai assistir a todos estes encontros, de modo geral gosta, aplaude, ajuíza sobre quem fala e o que foi dito, com mais ou menos justiça e sentido crítico, e até pede mais, mas estando de fora  as pessoas não imaginam como é difícil recrutar voluntários a trabalharem gratuitamente, quantas vezes com sacrifício das próprias famílias, para fazerem este trabalho de terra em terra, frequentemente ao fim-de-semana, ou para se criarem pólos locais de dinamização, e sobretudo, para se encontrarem meios financeiros que permitam às associações sobreviver e fazerem projectos para um futuro próximo !

E contudo, são muitas as pessoas que vamos encontrando e que reconhecem,  que as famílias cada vez mais precisam deste  espaço de reflexão, aconselhamento e ajuda, não só para que se mantenham unidas e firmes nos seus projectos conjugais, sem desistirem às primeiras contrariedades e problemas que lhes apareçam , mas também para educarem bem os seus filhos, ensinando-os com o seu próprio exemplo, a resistirem às modernas tentações constantes do consumismo, da obsessão televisiva e electrónica, e ao consequente empobrecimento intelectual e espiritual .

 

 ...A noite vai adiantada e pouso a escrita. O fogo crepita e baila à minha frente. Já todos dormem aqui em casa. Falta-me contudo, o final para a crónica de hoje, talvez excessivamente informativa e um pouco mais deprimida que o habitual...

 À procura de inspiração, pego num jornal e leio parte de um longo artigo sobre a Constituição Europeia. Reparo como são muitos os que querem ficar com o seu nome na História pelo esforço que põem na construção da coesão europeia, embora queiram omitir as raízes cristãs desta velha Europa e se esqueçam  por completo dos que as lançaram ! Lamento-o, sinceramente!

 Entretanto, sem sono, continuo à procura do final que me falta e folheio um livro emprestado, com magníficas fotografias de um local inóspito e para mim desconhecido - o Monastério de S. Toríbio ( séc. VI) de Liébana, na Cantábria, onde se encontra o maior pedaço do madeiro da Cruz de Cristo. Leio a introdução escrita pelo seu guardião, Vitorio Zabalgojeaskoa, e não resisto a copiar algumas frases...que me parecem bem servir de final ao m2 de hoje! Ora reparem...

“(...) a custódia neste lugar, da maior relíquia da Cruz de Cristo, constituía um aliciante para muitos peregrinos que se acercavam a estas recônditas paragens (...) para a venerar (...). A revitalização deste espírito de amor e fraternidade é o objectivo que nos impele nestes tempos de crise destes grandes valores cristãos. O conhecimento e valorização da nossa história tem de ser um caminho para refrescar a memória dessa espiritualidade e consolidar a nossa convicção nesta tarefa. A arte, como máxima expressão da criatividade humana (...) servir-nos-á de apoio e alento nessa viagem ao passado, em que fundamentamos o presente.”

Boa-noite, meus amigos! (...e que tal uma excursão à Cantábria, em busca de Liébana?)