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Por Fátima Fonseca

9 de Fevereiro de 2003



   Depois de uma semana inteira de debates e sondagens em vários locais, a diferentes horas, sobre guerra-sim-ou-guerra-não? Por que sim? Ou por que não? (aliás oportunos, devo dizer, só que bastante angustiantes...) – mais as discussões infindáveis sobre pedófilos presos, pedófilos por prender, pedófilos presumivelmente pedófilos e possíveis pedófilos presumivelmente inocentes, confesso que me apetece falar de tudo, menos destes assuntos e por isso, faço ponto final parágrafo e passo adiante.

  Começo pois, por felicitar vivamente o Sr. Ministro da Educação e a sua equipa, por terem acabado com o misterioso monopólio da APF como única entidade credora de confiança para fazer educação sexual neste nosso país! Não sei se o Sr Ministro alguma vez lerá estas linhas, (até porque não tenho o prazer de o conhecer, a não ser de o ver na televisão), mas gostaria de lhe dar os parabéns pela sensatez, coragem e frontalidade com que tem abordado estas questões! Efectivamente, ao contrário do que algumas notícias e títulos de jornais podem pretender afirmar, muitos pais por certo, poderão agora respirar um pouco mais aliviados, ao saberem que o Movimento de Defesa da Vida, MDV, (uma Associação credível e generosa, que não trabalha, nem nunca trabalhou por dinheiro) poderá ir às escolas, com pleno direito, corroborar aquilo que eles como principais educadores dos seus filhos - e independentemente dos seus credos religiosos e convicções ! – Tanto tentam ensinar e transmitir – lhes, desde muito antes da Adolescência: é que não pode haver verdadeira liberdade sem responsabilidade e a questão do envolvimento sexual precoce é muito séria!

  De que adianta andar pelas escolas – como a APF – a distribuir e ensinar a usar preservativos, se não ensinarmos desde bem cedo, que não se pode pôr “ a carroça adiante dos bois”, isto é, que uma relação de amor precisa de ganhar maturidade e estabilidade antes de os jovens enveredarem por uma relação sexual precoce, de paixoneta tantas vezes ilusória, passageira e irresponsável?

  É preciso ensinar e defender, sem complexos de inferioridade, que as grandes decisões, determinantes não só para a saúde física e mental dos jovens, como para a sua felicidade futura, devem ser guardadas para mais tarde. É preciso dizer, sem vergonha, em alto e bom som, que é possível namorar, ser feliz e não ter relações sexuais! É preciso corrigir a mentalidade actual de que quem não tem experiências sexuais é um “totó”, um patetinha ou um “monstro” de fealdade, rejeitado por todos/ todas!

  Sabendo, como se sabe hoje, que a Sida continua tragicamente a aumentar entre nós, e que Portugal, depois de Inglaterra, é o país europeu com maior número de gravidezes em adolescentes, como podemos pensar que a estratégia usada até agora e a mentalidade generalizada – “dorme” com quem queiras, desde que uses preservativo, ou tomes qualquer das pílulas! – Estão certas? Porquê insistir nas mesmas ideias pseudo -vanguardistas e pseudo – libertadoras? É porque “todos os jovens pensam e fazem assim”? Em primeiro lugar, fazer generalizações deste tipo está errado e é falso e em segundo lugar, é preciso consciencializarmo-nos todos de que por este caminho, não estamos a proteger garantidamente a sua saúde, nem estamos sequer, a contribuir para a felicidade dos jovens...se alguém ainda tem dúvidas, vale a pena ouvir os jovens envolvidos em situações demasiado complicadas para as suas idades, como aconteceu ainda há bem pouco tempo, aliás, num interessante programa “Prós e Contras” em que aparecia uma jovem a contar a sua gravidez quando tinha 15 anos...

  Parabéns, Sr Ministro! Abriu um caminho novo, certamente difícil, mas acredite que não está sozinho! Há muita gente sensata e anónima que o apoia!

  Há muita gente que ainda não perdeu nem lucidez, nem juízo, e que olha à sua volta e vê demasiados jovens com as suas vidas estragadas, demasiadas famílias destruídas e tanto desnorteamento, que percebe exactamente como tudo se decide em geral naquela faixa etária dos 10-20, a chamada fase da Adolescência, fase de rebeldia e busca de liberdade, em que tanta falta fazem adultos que verdadeiramente saibam apoiar os jovens! Ainda bem que existe um MDV em quem podemos confiar!

  ...As palavras são como as cerejas e por isso, aproveito esta maré de cumprimentos em matéria de educação, para referir uma interessante sessão cultural alusiva aos 200 anos do Colégio Militar - no Auditório Eunice Munõz, em Oeiras, onde tive o prazer de estar. Ao longo da tarde de sábado, vários ex-alunos, de diferentes idades, profissões e conotações políticas, leram textos relativos à fundação do Colégio e fizeram os seus próprios comentários, seguidos de variados interlúdios musicais e poéticos de grande qualidade. Em dada altura, o próprio Ministro do Ensino Superior, Pedro Lynce, como ex-aluno, deu um testemunho muito sincero e forte no seu conteúdo, de gratidão ao colégio, mas sobretudo voltado para as novas gerações ali presentes. “Formar homens”, dizia o Ministro, “tem sido o grande segredo do Colégio Militar!”

  A solidez da instituição, como ali foi várias vezes salientado, deve-se sobretudo à passagem permanente dum património de valores morais – camaradagem, brio, sentido de serviço, dignidade, fraternidade – isto é, educação do carácter, aliada à qualidade da formação pedagógica e desenvolvimento físico.

  Disse ainda o Ministro – e devo dizer que gostei de o ouvir, por isso até anotei as suas palavras, que tomo a liberdade de transcrever! - “ (...) à indisciplina da nossa sociedade, o Colégio Militar responde com disciplina, ao egoísmo, responde com solidariedade, ao facilitarismo com exigência, e digo-vos que num mundo globalizado, se as bases forem boas, estou certo de que os frutos serão bons! (...) ”

  Homens “preparados para ocupar elevados cargos por mérito próprio”, com sentido de serviço!

  Sentido de serviço, servir o país, servir Portugal!

   Ainda bem que a palavra “servir” ainda existe e ainda se ensina! (... este m2 está muito patriótico e um tanto militaresco, parece-me, mas em tempos de tão baixa auto-estima e tanta nuvem negra no ar, as palavras ouvidas em Oeiras e a cor do nosso rio, ali mesmo à beirinha da marginal, devo dizer, que nos consolaram, ao meu marido e a mim...!).