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Por Fátima Fonseca

1 de Outubro de 2002



   Desta vez, volto a falar de televisão, mais concretamente, do canal SIC, para elogiar os responsáveis pela escolha do óptimo filme “ O Furacão”, filme relativamente recente nos nossos écrans, e que aquele canal passou esta semana (infelizmente a horas um tanto tardias , pois acabou às duas e tal da manhã!) !

   Certamente bem merecia ter sido visto por muito mais gente!

   Sendo um filme ligado à questão racial, trata de um caso verídico e passado nos anos 70, em que um negro americano, campeão de pugilismo, é por duas vezes condenado à prisão injustamente, acabando por ser condenado a prisão perpétua por homicídios que não cometeu.

   Com um desempenho magistral por parte do actor principal e um argumento muito bem apresentado, a história gira sobre o efeito do livro auto-biográfico que o protagonista escreve no meio dos horrores da prisão e que ao ser lido por um outro jovem estudante negro, por sua vez protegido e adoptado por três ambientalistas canadianos, nele vai desencadear uma relação de sucessiva e simultânea compaixão, admiração e amizade tais que , unindo esforços imensos de vários “brancos”, acabam por conseguir libertar e salvar a honra do pugilista negro ao fim de muitos anos.

   “O ódio me prendeu e o amor me libertou” é uma das frases lapidares do preso, emocionado ante a perseverança e as provas de amizade do jovem , que contra todas as forças e perigos, juntamente com os seus generosos amigos canadianos, se lança na arriscada aventura de o libertar da cadeia e das malhas dum sistema profundamente injusto.

   À semelhança das biografias que líamos e que tão educativas foram para a juventude de meados do século passado (!) – na qual me incluo – filmes como “O Furacão”(The Hurricane) e outros – como por exemplo, “O Senhor dos anéis”, são meios modernos, indispensáveis e preciosos para a formação do carácter dos jovens de hoje, porque os valores ali apresentados- amizade, lealdade, sentido de compromisso e missão, luta pela reposição da verdade, perseverança e fortaleza, entre outros - são referências intemporais e imperecíveis , essenciais numa sociedade como a nossa em que tantas crianças e jovens crescem sem aprender a distinguir o Bem do Mal !

   Por favor, não percam este filme ! Talvez a SIC o possa repetir em breve, se lho pedirmos, com insistência, e sobretudo se formos muitos a fazê-lo, mas de certeza que os clubes de video também têm este filme de 1999.

   Aos pais e professores, uma especial recomendação, já que ele pode ser ocasião de um debate muito proveitoso e profundo!