Quem somos
Temas
Intervenção
 

Por Fátima Fonseca

24 de Setembro de 2002



   Depois de uns breves dias muito próximos do céu – sem guerras, nem más-línguas, sem rádio, sem televisão , nem acesso a computadores – regresso à terra, com as baterias carregadas do ar puro das serranias, desejosa de pôr as obrigações em dia e passo, apressada, o olhar pelas páginas da imprensa.

   Opto pelo prestigiado “Público”, mas afasto voluntariamente “ o meu metro quadrado” das mais recentes querelas e guerrilhas nacionais, das vinganças políticas e dos desmandos verbais. Pelo meio do jornal encontro enfim, um tema que muito mais me atrai:

   Um oportuno colóquio internacional, intitulado “Cidade e Tecnologia no século XXI”, oportunamente organizado pela autarquia de Vila Franca e pelo Instituto de Ciências Sociais de Lisboa, no passado fim-de-semana, com a presença de Langdon Winner, famoso professor e pedagogo norte-americano, formado pela Universidade de Berkeley.

   A propósito da influência crescente do poder tecnológico sobre as cidades e as nossas vidas, alertando para os perigos que surgem quando o homem se deixa escravizar pela tecnologia e perde a noção das prioridades de deveres e interesses , bem como o controlo do rumo da sua vida, o professor Langdon Winner cita o exemplo concreto do chamado “Pesadelo de Sillicon Valley”.

   Tentando desmistificar este mito, que enaltece o polo tecnológico gigantesco surgido por iniciativa do governo norte-americano e com grande investimento público após a segunda Guerra Mundial, no local que era até então apenas um bucólico vale, Langdon Winner refere: “As pessoas passam 5 a 6 horas dentro dos automóveis entre a casa e o emprego, comunicam com os filhos por telemóvel ou e-mail, comem “fast-food” e não têm tempo para mais nada a não ser trabalhar ( “workaholic”)...vivem com mais dinheiro, mas sem tempo. Passam duas vezes mais tempo a guiar do que com os filhos, sofrem de “stress”, alcoolismo, abuso de drogas, problemas de sono (...) e os próprios valores familiares são subvertidos pela dependência da tecnologia.”

   Obrigada, Prof. Winner, por nos recordar também a nós, portugueses, que “Sillicon Valley” é como uma medalha com duas faces e devemos olhá-la como uma lição real e próxima...

   Parabéns aos organizadores deste encontro internacional!

   Pergunto apenas : E como vamos nós de conciliação Família - Trabalho ? E que soluções poderemos nós propôr a nível pessoal, familiar e institucional ?

   Este é na verdade um tema actualíssimo, que atravessa a vida das pessoas e que põe em causa a saúde mental e física de todos e de cada um, sendo igualmente responsável por elevada deterioração e sofrimento nas relações familiares .