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Por Fátima Fonseca

30 de Agosto de 2002



   Com a efemeridade própria da matéria em geral e das palavras em particular, correm diariamente rios de tinta para nos fazerem chegar notícias de todas as partes, algumas reais e verdadeiras, outras falsas e forjadas. É bem curto o seu tempo de vida e rapidamente jornais e revistas acabam no caixote de lixo, independentemente da sua qualidade...nós entretanto, ávidos consumidores, vamo-nos tornando, infelizmente, cada vez mais indiferentes, menos críticos e mais automatizados...

   No entanto, além das notícias chegam-nos muitos artigos de opinião, que sem quase darmos conta, nos vão moldando a cabeça e criando uma enganadora sensação de cultura e saber. Por vezes , identificamo-nos com eles, outras vezes não. Alguns porém, mereceriam uma mais demorada reflexão, e consequentemente, menos rapidez em deitar para o lixo...Infelizmente, não foi isso que aconteceu com um magnífico artigo da Drª Sofia Galvão, no Diário Económico de alguns dias atrás. Com efeito, gostaria de o ter guardado, mas sem saber como,alguém mo levou para o campo dos desaparecidos, e vejo-me agora na impossibilidade de pouco mais poder referir a não ser aquilo que a autora designava como o " silêncio culpado" em que todos nós mergulhamos perante a decadência crescente e a boçalidade cada vez mais agressiva de certos programas televisivos - como o "Masterplan" - que a moda (?) e o lucro fácil levaram a encher as programações diarias de televisão como chamariz de audiências. E ninguém diz nada. E a maioria (?) continua a ver, mesmo quando critica.

   Em contrapartida, apesar da falta de dinheiro - o que as torna o parente pobre da comunicação - encontramos muitas rádios locais empenhadas em defender a qualidade e em fazerem verdadeiro serviço público -informando, divertindo e educando - em defesa dos concelhos onde estão inseridas.

   Num popular matutino fazia-se exactamente , por estes dias, o elogio devido à qualidade, de que tão raramente se fala, do trabalho extraordinário das rádios locais que, por este Portugal fora, se esforçam por sobreviver, mesmo " com a corda na garganta" sobretudo pela exiguidade do seu mercado publicitário e pelas dificuldades financeiras dos seus anunciantes, defendendo gentes, crenças, tradições e valores, que nas grandes cidades tantos dos mais "cultos" tendem a esquecer e menosprezar.