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Por Fátima Fonseca

21 de Agosto de 2002



   Enquanto alguns descansam - como é justo, merecido e necessário - mudando de actividade, e quando possível, de lugar, outros " descansam" também, mas comendo e bebendo à farta, gastando e gozando sem medida, noite e dia sem parar, indiferentes a quase tudo que não a sua imagem, o seu ego e o seu bem-estar pessoal. Muitos porém, não chegam a poder mudar de sítio, nem tão pouco descansar. E alguns ainda - uma mão cheia de jovens, e não só, universitários e outros, partem para outras paragens, aqui ou lá longe, levando apenas a sua alegria e generosidade, para irem ajudar os mais necessitados, construir casas, pintar , arrumar, ensinar a ler e escrever, cuidar de crianças e velhos, sãos ou doentes...

   Pena que deles tão pouco se fale ou se escreva, e tão pouco se mostre, porque certamente seriam " contos exemplares" e altamente pedagógicos!

   É que de facto, num tempo em que tanto se fala nos problemas da Educação( ou da sua falta), nos baixos níveis de sucesso escolar, na necessidade de avaliar a qualidade de Universidades, Escolas e Professores, na revisão de calendários escolares, etc, não posso deixar de recordar a carta de uma directora americana - citada há alguns anos numa prestigiada revista espanhola de Pedagogia - dirigida aos seus professores, no primeiro dia de aulas, e que rezava assim:
"(...) os meus olhos viram o que jamais um ser humano deveria ter visto: crianças, mulheres e homens serem assassinados por médicos prestigiados e enfermeiras diplomadas(...) e câmaras de gás construídas por engenheiros experientes (...). É por isso que sou profundamente desconfiada em relação àquilo que se chama Educação! Para que Ausschwitz e outros ( ...) não se repitam, é preciso que se lembrem, ao ensinar os vossos alunos, que aprender a ler, escrever e contar só vale mesmo a pena se isso servir para os tornar melhores pessoas, isto é, seres mais humanos e solidários(...)!"

   A maldade humana - qualquer que seja a sua hipotética explicação - está bem à vista, em todo o seu horror, nos tão divulgados e trágicos acontecimentos da pacata Soham, que recentemente puseram a Grã- Bretanha em estado de choque e que a todos nós certamente impressionam !

   Que podemos nós fazer afinal, no espaço do nosso pequeno metro quadrado, para lutar contra esta maldade humana, infelizmente presente em todos os tempos, a não ser educar melhor, isto é, formar melhor, despertando o sentido da Ética, da Solidariedade e da Responsabilidade, tantas vezes adormecido no nosso íntimo e à nossa volta?