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Por Fátima Fonseca

27 de Julho de 2002



   À chegada ao Algarve, primeiro dia de férias, viemos encontrar um tempo enevoado e fresco, propício à escrita calma de mais um metro quadrado!

   Desta feita, o tema é a Publicidade, esse mundo de imagens e mensagens omnipresentes, visuais e sonoras, que nos rodeiam, perseguem, chamam, agridem, persuadem e invadem a nossa intimidade, uma técnica, ou arte de seduzir sem dar tempo a reflectir...

   Pois é verdade! Olhamos à nossa volta, ligamos a televisão, abrimos uma revista, e de repente, parece que a última moda, ou o " que está a dar" é fazer anúncios "rascas", ordinários até dizer "chega"...e o problema é que em democracia temos de ser nós a escolher por onde vamos e como vamos, a confusão entre liberdade e libertinagem é uma tendência consequente, e de facto, custa muito dizer que " o rei vai nu", ou seja que é preciso distinguir o trigo do joio ...

   E no entanto, é preciso fazer alguma coisa em sentido contrário, temos de sair desta letargia agridoce em que, sem darmos quase conta, todos vamos caindo...

   Claro que é natural e lícito querer vender mais, pretender lançar novos produtos, inventar novos modos de nos fazer consumir o supérfluo ou apelar às nossas motivações para nos criarem novas necessidades, mas por favor!- nem todos os meios são lícitos para alcançar tais fins! É preciso que se diga, sem vergonha de parecer conservador, que esta publicidade desregrada não serve !

   Em compensação- e para que se não pense que estou a querer rotular toda a publicidade de péssima - queria contar-vos que hoje mesmo, encontrei aqui numa pequena aldeia de pescadores, um anúncio diferente: trata-se de um cartaz sugestivo, certamente feito e pintado por mão de jovem amador, pedindo donativos em espécie para chegar a tempo de matar alguma da muita fome que há em Angola, oportuna campanha da iniciativa da Fundação Pro Dignitate em conjunto com a Cruz Vermelha e as Misericórdias...

   "Eu tenho para comer, tu tens para comer, mas ele não tem para comer, ela não tem mesmo nada para comer..."

   É bom ver, de facto, como os mesmos meios - mentira, desculpem! Na verdade, meios muito , muito inferiores! - mas de qualquer modo, é bom ver como a publicidade pode servir fins bem mais dignos e altruístas!

   Vamos lá nós também, por uma vez, vencer esta inércia, indiferença e desconfiança que tão subtilmente se instalam na nossa pele bronzeada da Verão...vamos ajudar, por favor, antes que seja demasiado tarde...