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Por Fátima Fonseca

18 de Julho de 2002



   Sábado passado, durante a realização em Lisboa, de diferentes eventos de relevância política, nomeadamente, o Congresso do PSD, no Coliseu, o encontro no Tivoli, promovido pelos trabalhadores da RTP e o encontro no Centro Nacional de Cultura, promovido pela Comissão escolhida pelo Governo para a questão do Serviço Público, tive oportunidade de ouvir na rádio, enquanto me dirigia a Coimbra, uma interessante entrevista com um conhecido deputado.

   Em dada altura referindo-se ao papel da televisão na Educação das gerações actuais, dizia o entrevistado:

   " (...) antigamente, no meu tempo, era a Família, a Igreja e a Escola que tinham essa missão fundamental, mas hoje a televisão é sem dúvida alguma, a grande educadora, o que é uma grande responsabilidade...(...)"

   Lembrei-me então, que ainda não há muito tempo, mas seguramente antes de toda esta enorme e confusa polémica sobre o Serviço Público e a viabilidade da RTP, os nossos operadores se afirmavam defensores de duas funções apenas para as suas televisões: informar e distrair ! Educar, diziam eles, que só cabia aos pais e à escola...

   É verdade que nos dias de hoje, dificilmente passamos sem estas novas tecnologias...até pelas muitas vantagens que nos trazem...mas nós, pais, avós, irmãos mais velhos, professores, educadores, empresários, cidadãos, somos igualmente responsáveis pelo tipo de programas que se fazem para nosso consumo e pelo uso que fazemos da televisão e internet que recebemos em nossas casas...A subordinação crescente dos conteúdos a lógicas empresariais orientadas apenas para o lucro fácil e rápido, sem qualquer preocupação ética, tem de nos preocupar, incomodar e levar a tomar atitudes...o que fazemos nós, afinal? Já alguma vez escrevemos a protestar, telefonámos, desligámos o botão, navegámos na internet com os nossos filhos, propusemos outras alternativas, dispusemo-nos a colaborar com outros e fizemo-nos sócios de alguma associação - como a ACMedia- que sem fins lucrativos, quer apenas defender a ecologia mental da nossa sociedade e sobretudo dos mais jovens ?

   Também aqui estamos perante uma questão de cidadania ! Por favor, deixemos de pensar que é sempre o Governo e os outros que têm de fazer tudo por nós...