IV Ano – Nº 3 Julho 2011

VIOLÊNCIA


Este número do In forma pretende continuar a discussão sobre o tema da violência na Informação televisiva, e dizemos continuar a discussão porque este tema tem sido abordado de quando em vez em diferentes fóruns.

Mas porquê na Televisão e porquê agora, neste número? Pensamos que as razões são facilmente compreensíveis.

Em primeiro lugar, todos sabemos que a televisão continua a ser o meio de comunicação social mais utilizado e mais acessível a um grande público.

Em segundo lugar, a oportunidade do tema deve-se a que durante uma boa parte do mês de Junho os noticiários dos 4 canais generalistas “bombardearam” os telespectadores com dois vídeos chocantes, um sobre a agressão violenta a uma jovem de 13 anos por outras duas de 15/16 anos, filmada por um colega e sem intervenção de qualquer pessoa, o segundo sobre o que inicialmente se supôs ser uma “praxe” feita a um recruta (?) nos fuzileiros navais. Sobre estes dois casos violentos e lamentáveis, publicamos neste número, dois artigos da autoria de associados da ACMedia.



VIOLÊNCIA I

Em menos de uma semana a Comunicação Social deu conta de dois casos de extrema violência ocorridos entre jovens.

O primeiro foi conhecido por ter sido filmado para «ir para o facebook» de um dos intervenientes e mostrava uma violenta agressão a uma jovem por parte de duas «amigas» sem que nenhum dos restantes presentes interviesse para a evitar.

A segunda foi uma agressão à facada a uma outra rapariga, alegadamente perpetrada por uma amiga ou conhecida que, igualmente esfaqueou quem procurou evitar a agressão.

Não será, certamente, a primeira vez que tais situações acontecem mas o seu conhecimento é sempre difícil de aceitar. E ao perguntar a razão de tais factos não poderemos esquecer que as mais recentes gerações têm sido educadas com evidentes carências de valores morais e sociais.

O relativismo, actualmente assumido pelos que se consideram «modernos», não distingue o Bem do Mal, esquece o respeito mútuo e retira ao estatuto social os filtros de que os homens sempre precisaram para viver ordeiramente em comunidade.

Porque a situação apresenta evidentes aspectos de gravidade (veja-se o que se passa, por vezes, nas Escolas) é necessário repensar as nossas formas de educar, tendo em especial atenção à participação das Famílias, quando as houver, na procura de soluções relevantes e sustentáveis para tão magno problema.

M. RIO CARVALHO   

Obs:  O vídeo mencionado neste artigo foi passado várias vezes ao longo da semana, a todas as horas e na íntegra, mesmo as cenas mais violentas.


VIOLÊNCIA II


Um vídeo feito às escondidas, e segundo o seu autor, com intenção de denunciar os factos a que assistia e com os quais não estava de acordo, veio trazer ao conhecimento do grande público as sevícias infligidas a um fuzileiro pelos seus companheiros.

O vídeo foi passado em noticiários tardios por vários canais generalistas. Pode-se justificar a publicidade dada pela necessidade de denunciar situações de violência que de outro modo passariam despercebidas. Mas terá esta forma de noticiar atingido os seus objectivos?

As imagens captadas pelo vídeo são verdadeiros atentados à dignidade humana, que levam a uma revolta imensa perante tais comportamentos. O sentimento de impotência perante estas e outras notícias que não informam, que não esclarecem, e perante as quais o simples desligar da televisão ou o mudar de canal nada resolvem, leva-nos a questionar o que é informar, e os critérios, se é que existem, na selecção das notícias.

Mas, para mim, a pergunta mais importante é a seguinte: até que ponto as notícias demasiado violentas não geram mais violência ou não conduzem a uma insensibilidade como forma de auto-preservação da sanidade mental? Vale a pena pensar nisto.

L. V. P.   

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