«NÃO  TENHAIS  MEDO!»


Pe. Hugo de Azevedo

Um dos problemas da nossa geração é o medo. Tudo nos ameaça, desde a crise do petróleo ao buraco de ozono, do desemprego ao fumo «passivo», do terrorismo à escassez dos cereais... A impressão de instabilidade em todos os aspectos da vida corresponde, sem dúvida, a uma efectiva situação de turbulência geral, própria da viragem civilizacional de grande espectro e muito difícil previsão que nos é dado viver.

Mas, se o medo nos atinge a todos, aflige especialmente a gente nova, ansiosa por abrir caminho neste mundo perigoso. Se tarda o primeiro emprego, alcançá-lo não o sossega, nem o segundo, nem os seguintes, ainda que melhores: a mais segura empresa pode falir, ser absorvida, mudar de gestão... Aliás, doze anos de vida já a torna obsoleta, se não se renovar. Não vale a pena sonhar com um mundo diferente nas próximas décadas. A única solução é... não ter medo.

O apelo de João Paulo II no início do seu pontificado - «Não tenhais medo!» - não é importante apenas no domínio espiritual; é decisivo em qualquer aventura, como a de hoje para todos os homens, e em particular para os jovens.

S. Josemaria fazia notar, um dia, que nos dez primeiros anos de actividade profissional os êxitos e os fracassos têm pouco significado. Realmente, às vezes há sorte; outras vezes «azar». Mas se um homem trabalha conscienciosamente, dando o melhor de si, ao fim desse tempo pode crer que venceu. Ganhou o merecido prestígio de profissional honesto e responsável; tornou-se um homem de confiança. Ainda que tenha de mudar de ofício, será um trabalhador competente. E não lhe faltarão oportunidades.

O próprio facto de não ter medo, de enfrentar com fortaleza – com audácia e paciência, com optimismo – as mais diversas circunstâncias da vida, sabendo «subir e descer» quando é preciso, sem desanimar, faz dele um colaborador mais precioso do que uma «sumidade» em constante «stress» de insatisfação e carreirismo.