Papa propõe infoética contra riscos nos media
 

Público,04.05.2008, António Marujo

 

O Papa Bento XVI propõe, na sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que hoje a Igreja Católica assinala, ser necessária uma "infoética, tal como existe a bioética no campo da medicina e da investigação científica relacionada com a vida".
Para Bento XVI, "é indispensável que as comunicações sociais defendam ciosamente a pessoa e respeitem plenamente a sua dignidade", evitando "que os media se tornem o megafone do materialismo económico e do relativismo ético, verdadeiras pragas do nosso tempo".
No texto, assinado a 24 de Janeiro, dia de S. Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, o Papa Ratzinger alerta para os riscos de os media se transformarem "em sistemas que visam submeter o homem a lógicas ditadas pelos interesses predominantes de momento". O Papa dá o exemplo dos meios de comunicação usados "para fins ideológicos ou para a venda de produtos de consumo mediante uma publicidade obsessiva".
"Com o pretexto de se apresentar a realidade, tende-se a legitimar e a impor modelos errados de vida pessoal, familiar ou social", avisa o documento (disponível em www.vatican.va). O Papa alerta ainda contra a luta pelas audiências: esta leva a que "por vezes não se hesite em recorrer à transgressão, à vulgaridade e à violência" e há mesmo a "possibilidade de serem propostos e defendidos, através dos media, modelos de desenvolvimento que, em vez de reduzir, aumentam o desnível tecnológico entre países ricos e pobres".
Bento XVI enaltece aspectos positivos dos media, que adquiriram "potencialidades extraordinárias". Estas permitem "a circulação das notícias, o conhecimento dos factos e a difusão do saber: por exemplo, contribuíram de modo decisivo para a alfabetização e a socialização, como para o avanço da democracia e do diálogo entre os povos" e também podem estar "ao serviço de um mundo mais justo e solidário".
O Papa nota que os media estão a enfrentar uma "verdadeira mudança de função" e alerta, enfim, para a necessidade de perguntar "se é sensato deixar que os instrumentos de comunicação social se ponham ao serviço de um protagonismo indiscriminado ou acabem em poder de quem se serve deles para manipular as consciências".