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As voltas do Priorado de Sião


 

Está marcado para 18 de Maio a estreia do filme Código Da Vinci  em Portugal, mas é importante ter noção que a consistência histórica deste livro é zero. Se tiver a  impressão que aprendeu alguma coisa sobre História com este autor está enganado. Cada vez mais surgem estudos que comprovam a falsidade do livro, destaco a pesquisa de Bernardo Mota que desvenda toda  esta trama no seu livro Do enigma de Rennes-le-chateau ao Priorado  de Sião.

Dan Brown apresenta o Priorado de Sião, sociedade secreta que  segundo o livro data de 1099, mas na realidade foi fundada em 1956. Um erro de nove séculos de fundação. Um documento oficial, emitido pela polícia francesa, prova que o priorado de Sião foi criado por um grupo de amigos liderados pelo francês Pierre Plantard, em meados dos anos 50. Este documento está disponível há anos. A farsa do Priorado é um fenómeno bem conhecido em França.

Os famosos dossiers secretos, que de facto existem, são uma colectânea de documentos forjados em papel bem moderno e não em pergaminho. Dan Brown usa a palavra pergaminho para sugerir a antiguidade destes documentos. Esta é a forma que o escritor encontrou para distorcer a verdade.

A lista dos grãos mestres ( e não a lista dos ”membros” como diz erradamente Dan Brown), é uma recriação dos franceses Pierre Plantard e Phillipe de Chérisey baseada em listas falsas, e foi depositada na Biblioteca de Paris em 1967 e não em 1975 como afirma Dan Brown.

Os protagonistas do Priorado de Sião são três franceses, companheiros de uma burla histórica. Pierre Plantard, desenhador industrial, amigo do intelectual Philipe de Chérisey, marquês falido e actor de teatro e televisão. Estes dois amigos decidiram criar uma farsa com o objectivo de tentar provar que Plantard era o legítimo herdeiro à coroa de França. Plantard queria provar que descendia da primeira dinastia do Francos, a dinastia dos Merovíngios. Plantard  sustenta a teoria de que inventara o Priorado de Sião fingindo tratar-se de uma organização secreta e poderosa, dizendo que a sua função sempre fora proteger uma organização secreta e poderosa, tendo como objectivo defender uma linhagem merovíngia secreta.  Segundo Plantard, o priorado esteve sempre por trás das heresias da Igreja Católica, que teria  estabelecido um pacto com o fundador da dinastia dos merovíngios a partir do momento em que teria reconhecido o rei da dinastia seguinte os carolíngios.

Nos anos sessenta  por intermédio de um terceiro elemento, o jornalista Gerard de Sède, os dois amigos descobrem as lendas de Rennes-le–Chateau, uma pequena aldeia nos Pirinéus franceses.

Nesta aldeia o padre Sauniére é acusado de ter desviado donativos da Igreja para fins privados. Depois da sua morte a sua governanta, Marie Dénaurd, decide limpar o bom nome do seu antigo patrão, inventado a história de que a fortuna fabulosa do padre se deve à descoberta de um tesouro.

Plantard e os seus amigos tentaram transmitir a ideia de que o segredo do padre Sauniére teria antes que ver com um enorme segredo político e religioso.

Uns supostos pregaminhos provavam uma antiga dinastia merovingia escondida durante séculos em Rennes-le –Chateau. Segundo Plantard e Cherissey o padre teria usado esta informação como chantagem à Igreja Católica e teria ficado rico, recebendo o apoio do Priorado de Sião.

Na verdade tudo isto é falso  o padre Sauniére terá ganho algum dinheiro devido ao desvio de fundos pertencentes à Igreja Católica e não teve qualquer ligação com esta sociedade secreta .

Até ao final dos anos 60 o mito do priorado de Sião era apenas uma história fantástica, exclusivamente francesa. O mito ganha projecção internacional com o realizador britânico Henry Lincoln, nos anos setenta, tendo aproveitado este material para documentários televisivos, e para um livro O sangue de Cristo e o santo Graal, em 1982. Lincoln escreve este livro com dois amigos da maçonaria anglo-saxónica Richard Leigh e Michael Baigent, que defendem ainda a ideia de que Jesus teria tido uma ligação com Maria Madelena e os seus descendentes seriam os merovíngios.

Uma verdadeira novela cheia de criatividade para o leitor mais ingénuo, mas com este estilo de literatura Dan Brown apresenta uma farsa que vai contra a própria história da civilização europeia e da Instituição da Igreja Católica.

 

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